Por que a IA inventa
Ela completa com o que é provável. Se não tiver a informação, ainda assim escreve algo que soa certo. Confira números, datas e citações.
Entre a sua pergunta e a resposta do ChatGPT existem cinco passos. Aqui você vê cada um, com a sua própria frase, sem fórmula e sem jargão.
Antes de tudo, o texto é cortado em tokens: palavras curtas inteiras, palavras longas em partes, e a pontuação separada. Cada pedaço vira um número. Escreva qualquer coisa e veja.
Simplificado: cada modelo tem o seu próprio dicionário de pedaços, então a contagem real muda de uma IA para outra. É por tokens que as IAs medem o tamanho do texto e cobram pelo uso.
A IA transforma cada token numa lista de números, que funciona como um endereço num mapa. Palavras com sentido parecido ficam perto. É assim que ela sabe que "gato" está mais perto de "cachorro" do que de "pizza".
Passe o mouse ou toque num ponto para ver os vizinhos mais próximos.
Num modelo de verdade, esse mapa tem milhares de dimensões, não duas. A ideia é a mesma: distância é diferença de sentido.
Uma palavra sozinha pode ser ambígua. Para entender "ele", a IA pesa todas as outras palavras da frase e descobre a quem ele se refere. Esse mecanismo se chama atenção, e é o coração dos modelos atuais.
Os pesos aqui são ilustrativos. Num modelo real, isso acontece em dezenas de camadas ao mesmo tempo, cada uma reparando numa coisa diferente: gramática, assunto, quem fez o quê.
Depois de tudo isso, a IA calcula a chance de cada token vir a seguir e sorteia um deles. A temperatura controla o sorteio: baixa, ela quase sempre escolhe o mais provável; alta, ela arrisca mais.
A capital do Brasil é
Números ilustrativos. Repare: com a temperatura alta, "linda" ou "Rio" podem sair. A IA escolhe o que é provável, não o que é verdadeiro, e por isso às vezes inventa.
A palavra escolhida entra no texto e o ciclo recomeça. É por isso que as respostas aparecem aos poucos na tela: a IA está literalmente escrevendo um token de cada vez.
A pergunta e tudo o que já foi escrito.
Significado e atenção em todas as camadas.
Um token, pela probabilidade.
E volta para o passo 01.
Qual é a capital do Brasil?
Ela completa com o que é provável. Se não tiver a informação, ainda assim escreve algo que soa certo. Confira números, datas e citações.
Tudo o que você escreve entra na atenção. Mais contexto muda as probabilidades a seu favor. O guia de prompts mostra como.
O modelo aprendeu com textos até uma data. Para saber de algo recente, precisa de uma ferramenta de busca ligada a ele.
Como existe sorteio, a mesma pergunta pode ter respostas diferentes. Não é erro, é o funcionamento normal.
Cada guia explica uma parte da IA e da web com algo para você testar. Tudo roda no seu navegador.
O próximo passo é usar isso a seu favor: um pedido bem feito muda a resposta inteira.